Por Cintia de Freitas, especialista em marketing e CEO e fundadora da Datta Büsiness*
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, dinâmico e orientado por resultados, a forma como líderes tomam decisões passa por uma transformação profunda. No Brasil, esse movimento já se reflete na percepção dos colaboradores, em que, segundo pesquisa do LinkedIn, 85% dos profissionais de pequenas e médias empresas acreditam que a tecnologia vai melhorar seu dia a dia, enquanto 43% já utilizam inteligência artificial em atividades mais avançadas, como estratégia e análise de dados. Nesse contexto, o modelo tradicional baseado na experiência acumulada e no chamado “feeling” de mercado começa a mostrar limitações, diante de um cenário marcado pela abundância de informações, pela crescente pressão por performance e pela necessidade de respostas cada vez mais rápidas.
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, dinâmico e orientado por resultados, a forma como líderes tomam decisões também está passando por uma transformação profunda. Se no passado a experiência acumulada e o chamado “feeling” de mercado eram considerados diferenciais suficientes para orientar estratégias, hoje esse modelo encontra limites diante de um cenário marcado por abundância de informações, pressão por performance e necessidade de respostas rápidas.
O modelo de liderança baseado predominantemente na intuição foi, por muito tempo, amplamente valorizado no mercado. Em contextos menos voláteis e com menor disponibilidade de dados, confiar na experiência acumulada fazia sentido e muitas decisões estratégicas eram tomadas a partir da percepção do gestor sobre o comportamento do mercado. No entanto, a dinâmica empresarial atual, marcada por alta competitividade, múltiplos canais de relacionamento e ciclos de inovação cada vez mais curtos, exige um nível de precisão que a intuição isolada dificilmente consegue sustentar.
A transformação digital ampliou de forma exponencial a quantidade de dados gerados por empresas e consumidores, de modo que Informações sobre comportamento de compra, jornada do cliente, desempenho de campanhas, taxas de conversão, retenção e engajamento passaram a ser captadas e analisadas continuamente. Por isso, tomar decisões apenas com base na experiência significa ignorar evidências concretas capazes de reduzir riscos, orientar investimentos e aumentar a previsibilidade dos resultados. Não por acaso, estudos da McKinsey indicam que empresas que utilizam análise de dados de forma eficaz podem aumentar sua lucratividade em até 15% a 20%.
É diante desse contexto que ganha força o conceito de liderança orientada por dados. Diferentemente do que muitos imaginam, esse modelo não elimina o valor da experiência profissional, ele a complementa. Líderes orientados por dados utilizam análises estruturadas para validar hipóteses, identificar padrões e testar estratégias antes de ampliar iniciativas, tornando o processo decisório mais consistente e menos dependente de percepções individuais.
Os resultados dessa abordagem também aparecem na velocidade com que as organizações conseguem reagir ao mercado. Segundo a Deloitte, organizações orientadas por dados são cinco a seis vezes mais propensas a tomar decisões mais rápidas do que aquelas que ainda dependem predominantemente de percepções subjetivas. Em mercados altamente competitivos, essa agilidade pode representar a diferença entre capturar oportunidades ou perder espaço para concorrentes mais preparados.
Com o avanço da inteligência artificial, ferramentas analíticas conseguem cruzar grandes volumes de informações, identificar correlações e gerar insights que seriam difíceis de perceber apenas pela observação humana. Esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos. Segundo pesquisa da Gartner, até 2030 a inteligência artificial estará presente em todos os trabalhos executados pelas áreas de tecnologia da informação nas organizações.
Na prática, isso significa que os próprios CIOs (Chief Information Officers, ou diretores de tecnologia da informação), que são responsáveis pela estratégia e gestão da tecnologia nas empresas, terão o papel de orquestrar o trabalho realizado por humanos e máquinas, ampliando ainda mais o potencial das decisões orientadas por dados.
Com isso, o papel da liderança também evolui, já que, em vez de concentrar respostas, líderes passam a ter a responsabilidade de formular as perguntas certas, interpretar dados com visão estratégica e transformar informações em direcionamento de negócio. A tomada de decisão deixa de ser um exercício baseado apenas em experiência individual e passa a se apoiar em evidências capazes de orientar escolhas com maior segurança.
Não se trata do fim da intuição, mas da redefinição de seu papel. A experiência segue essencial para interpretar contextos, antecipar cenários e orientar decisões em ambientes de incerteza. No entanto, em um mercado cada vez mais orientado por resultados mensuráveis, líderes capazes de integrar análise de dados, visão estratégica e capacidade de adaptação tendem a construir organizações mais eficientes, previsíveis e preparadas para responder com agilidade às mudanças do mercado.
*Cintia de Freitas, especialista em marketing com sólida experiência no setor de shopping centers, e CEO e fundadora da Datta Büsiness, startup brasileira especializada em marketing orientado a dados
